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Viajar barato – 4 dias no Nordeste por menos de R$1000

Viajar barato – 4 dias no Nordeste por menos de R$1000

A nação despachada está sempre de olho nas promoções para economizar muito nas suas viagens. Neste artigo mostramos que é possível viajar barato (menos de R$1000 por pessoa) sem abrir mão de um passeio muito bacana, explorando uma capital do Nordeste surpreendente: Aracaju.

Viajar Barato – Hospedagem

Normalmente o primeiro passo para uma viagem econômica é a compra da passagem aérea, mas esta viagem começou com uma promoção de hospedagem. Em 25 de Maio a Accor lançou uma promoção de diárias na rede Ibis Budget, que é a bandeira super econômica da rede, por apenas R$25 a diária (por pessoa). Lógico que não dava para deixar essa oportunidade passar.

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Aracajú atualmente é a única capital nordestina que possui um hotel da rede. Então não foi difícil escolher o destino. Foi feita a reserva de 4 noites (de 20 a 24 de Julho) para dois adultos por inacreditáveis R$200. Obviamente que este valor não era reembolsável e as datas não poderiam ser alteradas em nenhuma hipótese.

Próximo passo – Chegando lá

Hotel devidamente reservado, o próximo passo era garantir as passagens. Haviam dois meses para emitir as passagens através de milhas ou aproveitando alguma promoção.

Com exceção do programa Amigo da Avianca, seriam necessárias mais de 60 mil milhas para emitir as passagens para dois adultos. E mesmo a Avianca exigia 40 mil milhas, mas era disparada a opção mais em conta. Este saldo até estava disponível, mas 23 mil em uma conta e 18,5 mil em outra. Infelizmente a Avianca não oferece a opção de compra, reativação nem transferência de milhas.

No programa Amigo as únicas formas de aumentar o saldo são: voando com eles, transferindo pontos de cartões de crédito ou comprando com algum dos parceiros do programa amigo, mas nada disso era possível em um prazo tão apertado. Apenas uma promoção de passagens aéreas poderia salvar a viagem. Faltando 3 semanas para a chegada as passagens saindo do Rio de Janeiro estavam cuatando mais de R$500 por trecho e a tendência era ficar mais caro. Parecia que aqueles R$200 seriam perdidos para sempre.

Para alegria da nação Despachada no dia 08 de Julho, quando faltava menos de duas semanas para a viagem, uma promoção da Gol ofereceu Rio-Aracajú por R$179,90 (por pessoa e por trecho). O coração veio na boca. Era a oportunidade que faltava. O período não era exatamente o da reserva. A ida era para o dia 21. Um dia seria perdido mas não era o fim do mundo, pois os vôos eram diretos e em excelente horário. Ida às 8h40 e volta às 17h45. Não dava para reclamar. Nesse momento o grupo passou a contar com mais um integrante. A pequena Ana Luiza.

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Total das 3 passagens aéreas R$1079,40 parcelados em 6x sem juros. Mais R$148,74 de taxas de embarque pagas no cartão de crédito sem parcelamento.

Passeios

Orla de Atalaia

Para aproveitar a tarde do dia de chegada, nada melhor que um passeio pelos arredores do Hotel e a Orla de Atalaia é super convidativa para um passeio. São vários restaurantes e bares na orla. Mas o que chama a atenção mesmo é que não se vê nem sinal do mar. A faixa de areia e restinga é tão extensa que um dos motoristas que atendem à região sugeriu um transfer até o mar. Pelo amplo calçadão o que não faltam são locais para ótimas fotografias, como por exemplo o pórtico símbolo da cidade.

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As estátuas dos vultos históricos, que propiciam fotos bem divertidas.

Mas a principal atração da orla é o Oceanário de Aracajú. Um centro de vida marinha bancado pela Petrobras e que abriga algumas espécies de tubarão, tartarugas marinhas, arraias e peixes diversos. Não se trata de algo fenomenal mas é interessante, principalmente para as crianças. As 16h acontece a alimentação dos peixes que também é bem interessante.

Mangue Seco

Passeando pela orla de Atalaia a família despachada foi verificar os preços dos principais passeios da região. Decidiram comprar dois deles, justamente o número de dias que ficariam inteiros no destino.

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O primeiro foi Mangue Seco, que fica ao Sul da capital sergipana, já em território Baiano. O preço deste passeio foi R$90 por adulto e ganhamos cortesia para a pequena Ana. Este passeio inclui o transfer de Van entre Aracaju e a margem sergipana do Rio Real e também a travessia de barco até o pequeno centro de Mangue Seco. Mas para chegar ao Mangue Seco propriamente dito é necessário a contratação de um bugre que não está incluído no valor do passeio. O valor pode ser R$90, R$130 ou R$175, dependendo do trajeto escolhido. Cada carro comporta 4 adultos, podendo levar mais uma criança. A informação oficial é de que a lotação são 4 pessoas e que essa criança adicional é uma cortesia. O valor pode ser dividido entre diferentes grupos. Dica: Caso seu grupo não ocupe um bugre, já vá esquematizando com os outros passageiros na Van.

A opção de R$90 é apenas um translado pelo Mangue até as barracas que ficam na praia, a aproximadamente 3 quilômetros do porto de Pontal. Por R$130 o trajeto inclui 5 paradas para fotos e é feito em aproximadamente 40 minutos, sendo que em uma delas é possível descer uma duna de esquibunda ou, se preferir ir em pé, de sandboard  (a prancha é a mesma) ao custo de R$1,00 por descida. Essa foi nossa escolha e pelo visto, de todo mundo que estava no passeio. Como o grupo era composto por 2 adultos e uma criança, foi possível dividir o valor de R$130 com mais dois adultos. A opção mais cara, de R$175 é um passeio de 1h30 que inclui dunas mais distantes e que não foi recomendado nem mesmo pelos condutores dos bugres, todos muito gente boa, diga-se de passagem.

Cânions do São Francisco

O outro passeio escolhido foi o Cânion do Rio São Francisco com acesso pela represa de Xingó. Uma paisagem surreal no meio do sertão nordestino e preço bem menos camarada: R$150 por adulto e R$75 por criança de 5 anos ou mais e neste caso não adiantou chorar. As vans podem sair lotadas e ir com uma criança de 6 anos no colo por mais de 3 horas estava fora de cogitação. É possível fazer por conta própria o trajeto até a cidade de Canindé que fica a 3 horas de Aracaju, mas o passeio de catamarã custa R$90 e a estrada não é boa. Se colocar o aluguel do carro na conta, certamente fica mais caro. É um passeio super cansativo. Prepare-se.

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No dia do passeio a van chegou pontualmente as 6h25 e para nossa sorte estava totalmente vazia. Teríamos apenas duas paradas, mas dois casais embarcaram e pude ir deitado, com meu travesseiro do hotel (#ficaadica). Mas alegria de pobre dura pouco. Nossa Van começou a vazar combustível. Rapidamente outras vans que fazia o mesmo trajeto parou para nos “recolher”. Tivemos que passar para outra Van com pouquíssimos lugares.

Total dos passeios: R$550 pagos em duas vezes no cartão de crédito, mais R$65 do (meio) bugre pago em dinheiro direto para o condutor.

Cidades históricas – Laranjeiras

A manhã do domingo dia 24 estava vaga. O vôo de volta partia às 17h45 então o passeio teria que terminar no máximo às 14h. As cidades históricas de Laranjeiras e São Cristóvão nos arredores de Aracajú apareceram como opções redondinhas. Mas os passeios comprados terminavam muito tarde. A solução foi alugar um carro. Isso evitou o pagamento de taxas de check out mais tarde (meia diária) no Hotel pois logo depois do café da manhã colocamos as malas no porta malas e fizemos check out. Café da manhã tomado, carro carregado, pausa para uma rápida foto no Portal símbolo da cidade e em 40 minutos a pequena cidade de Laranjeiras aparece na nossa Janela. O acesso ao Centro Histórico é feito por uma rua bem caidinha, com um comércio decadente e casas sem valor histórico, e ainda por cima mal conservadas. A cidade não é convidativa. Os prédios com valor histórico são dispersos e não parece haver um centro de informações para o visitante. No alto de um morrote há uma simpática igrejinha que é facilmente alcançada se você estiver de carro. Se estiver a pé, prepare-se para escalar uma ladeira super íngreme. Lá de cima a cidade nem parecia ser tão sem graça. As fotos diminuíram a decepção.

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Cidades históricas – São Cristóvão

O Waze informava que São Cristóvão ficava a 40 minutos da cidade de Laranjeiras. O desânimo com essa cidade por muito pouco não suspendeu os planos de visita a São Cristóvão. Mas os Despachados são persistentes e lá chegando encontraram um cenário totalmente diferente. Um centro mais compacto, com prédios mais próximos e com uma conservação bem melhor. Ainda encontramos algumas atrações abertas para visita. Mas por se tratar de um domingo, o horário de fechamento dos museus é antecipado para as 14h. Assim, só haveria tempo para um dos dois principais museus da cidade: O museu de arte sacra e o Museu Histórico do Sergipe. Assim que chegamos à cidade contratamos os serviços de guia do Sr Fernandes (Fefé para os íntimos) por R$50, bem em frente ao Centro de Informações Turísticas da cidade. Ele deu uma dica de visitarmos o Museu de Arte Sacra que funciona dentro do antigo convento de São Francisco. A entrada custa R$4,00 com direito a visita guiada, mas as guias são bem inseguras sobre o que estão descrevendo. Por R$4,00 (estudante paga meia) não dá para reclamar. Conforme a visita ia avançando pelos cômodos do antigo convento Franciscano, funcionárias apressadas iam fechando as janelas e apagando as luzes pois o horário de visitação já estava se encerrando (ainda não eram 14h). O avançar da hora não permitiu que a cidade fosse melhor desbravada, mas a sensação foi de que valeu muito a pena ter feito a visita.

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Comendo fora

Assim que chegamos no Ibis, comprei o café da manhã para os 3 dias por R$105. O valor é de R$14 por adulto e R$7 por criança. Acabei perdendo um dia pois a van nos pegou as 6h30 para o passeio ao Rio São Francisco. Nos finais de semana o café começa as 7h. Então fica a dica de comprar o seu café da manhã apenas no dia que tiver certeza que for utilizá-lo. Aliás o café da manhã do Hotel é extremamente simples. Fiquei com a impressão que comeria melhor na padaria ao lado pagando menos.

Um dos pontos que não agradou muito nesta viagem foi a culinária sergipana. No geral a comida é insossa e sem graça. Apesar de os preços serem bem menores do que estamos acostumados a pagar no Rio ou em São Paulo, Aracajú não é a capital mais barata do nordeste. Uma refeição para um casal em restaurantes da orla com bebida e gorjeta não vai sair por menos de R$120. Mas em se tratando de Despachados, o custo médio das refeições ficou bem abaixo disso, sem abrir mão da qualidade dos restaurantes escolhidos. Algo em torno de R$80 aproveitando promoções e dividindo pratos. A única exceção foi um almoço na churrascaria da Rede Sal e Brasa, que custou R$130, também com bebida e gorjeta. Foi a única refeição realmente boa de toda a viagem.

A comida nos passeios é simplesmente horrível, além de cara. No mangue seco, um bife com fritas que mais parecia uma sola de sapato, com dois refrigerantes custou quase R$100. Tremenda armadilha. Se puder leve um lanche para não passar raiva. No passeio ao Rio São Francisco os catamarãs saem de um restaurante chamado Carrancas, que cobra R$38 por pessoa por um buffet liberado. Mas, vacinados pelo almoço do passeio anterior, os Despachados preferiram pedir um escondidinho e duas cocas, gastando menos da metade do valor do almoço. Para variar estava uma porcaria, mas deu para segurar a (longa) viagem de volta e encarar um Açaí com paçoca no Açaí AJU na orla de Atalaia no final do dia.

Nas cidades históricas simplesmente não há uma oferta descente de opções de refeições. O único restaurante que encontramos a comida estava muito feia e visivelmente ressecada. Aracajú tem melhores opções e para esta última refeição a a churrascaria Sal e Brasa foi a escolha.

Comprinhas

Assim como a grande maioria das capitais nordestinas o comércio turístico de Aracajú gira em torno de artesanato, castanha, doces e bebidas. A impressão é de que todas as capitais recebem mercadorias dos mesmos fornecedores. Mas a falta de novidades pode ser um grande incentivo à economia. Se dependesse do nosso amigo Despachado, não teria sido gasto um único real em compras, mas para garantir a sua integridade física e aquelas lembrancinhas para os pais, tios e avós… uma visita ao centro de artesanato da orla de Atalaia foi inserida no roteiro. Saldo da brincadeira R$90.

Balanço Geral

Resumo dos gastos:
Passagem Aérea: R$1.228
Hotel: R$200(estadia) + R$105(café da manhã) = R$305
Passeios: R$555
Aluguel do carro: R$110

Claro que além destes gastos, foram feitos outras pequenas compras de lanches, combustível, mercadinho, lembrancinhas, etc. Como é um saco ficar controlando essas comprinhas classificamos os gastos de acordo com o meio de pagamento utilizado:

Gastos em dinheiro: R$400
Gastos no cartão de crédito: R$235
Gastos no cartão de débito: R$155

Total Geral: R$2.988

Conclusão: Uma viagem deliciosa, com direito a passeios sensacionais, saiu por menos de R$1.000 por pessoa. Mesmo considerando todos os gastos, desde o táxi da ida para o Aeroporto, até o da volta. Aí você, caro leitor/ouvinte pode se questionar. “Mas eu não vou conseguir um Hotel tão barato!” / “Mas essa passagem foi um achado!”.

Fato é que as oportunidades estão sempre aparecendo. Você só precisa ficar ligado nas promoções. Essa passagem estava com um preço sensacional, mas já houve promoções muito mais agressivas, com cada trecho saindo na casa de R$50. Hoje em dia a oferta de hostels já é muito grande e além disso existem uma infinidade de outras possibilidades como Airbnb, couchsurfing, casa de amigo, etc.

E aí?! O que achou da viagem da família Despachada? Deixa um comentário aí!